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A solidão e as redes sociais: por que nos sentimos tão sós nos locais do mundo mais apinhados de gente?

Rui Miguel Costa, Filipa Pimenta, Alexandra Ferreira-Valente, Centro de Investigação William James, Ispa - Instituto Universitário, Lisboa, Portugal; Ivone Patrão, APPsyCI, Ispa - Instituto Universitário, Lisboa, Portugal;
Projeto selecionado na Flash Call «Tecnologia e Sociedade»

A utilização de sites de redes sociais pode tornar-se compulsiva e afetar muitos aspetos da vida, tais como a atenção para com os outros, a produtividade no trabalho, a qualidade do sono e a saúde mental. A isto chama-se frequentemente "dependência das redes sociais". Existem evidências de que isto pode muitas vezes conduzir a sentimentos de solidão e estados emocionados negativos, mesmo entre pessoas que mantêm relações presenciais satisfatórias. Decidimos empreender um estudo para explorar este fenómeno, baseado numa amostra de 4.782 participantes de um inquérito em linha, realizado em Portugal. Os resultados demonstraram que a insatisfação em relacionamentos com parceiros românticos, família e amigos não explica plenamente a razão deste fenómeno. Uma hipótese possível é que, independentemente do grau de satisfação que tenham com as suas relações presenciais, os utilizadores dependentes das redes sociais experienciam desilusão nas redes com maior frequência do que os seus homólogos não dependentes. Isto pode conduzir à solidão porque os seres humanos são intrinsecamente motivados a expandir as suas ligações sociais para lá do seu grupo de relações cara a cara. No entanto, quando estes não são correspondidos, a solidão aparece, mesmo que as pessoas tenham relações pessoais satisfatórias.
Pontos-chave
  • 1
       Os nossos resultados confirmaram que a associação entre a solidão percebida e a dependência das redes sociais é independente da satisfação com as relações pessoais: amigos, família, parceiro(a).
  • 2
       Em média, os utilizadores das redes sociais sentem mais solidão do que os poucos indivíduos que não utilizam as redes sociais (4,4%), mas a diferença foi muito pequena.
  • 3
       Indivíduos altamente dependentes das redes sociais mostraram-se mais propensos a declarar que estar nas redes sociais despoleta sentimentos negativos.
  • 4
       A associação entre as redes sociais e a solidão percebida foi explicada, parcialmente, pelos sentimentos negativos despoletados pelas redes sociais: sobretudo desilusão e, em menor grau, comparações sociais negativas.

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