Artigo
A cibersegurança no 1.º e no 2.º ciclo do ensino básico em Portugal: opiniões de professores e encarregados de educação
O projeto «YUCA» (Young Cyber-Aware to build a resilient cybersecure society) identificou a situação atual do ensino da cibersegurança em Portugal nas camadas mais jovens do setor público — o 1.º e o 2.º ciclo do ensino básico (CEB) — com o intuito de definir uma estratégia mais concertada para a integração destes conteúdos no currículo educativo. Do inquérito online realizado no primeiro trimestre de 2023, obteve-se 1.348 respostas válidas de docentes do 1.º e do 2.º CEB e 560 respostas válidas de encarregados de educação de educandos a frequentar estes mesmos ciclos de ensino.
Segundo os inquiridos neste estudo, a integração de conteúdos de cibersegurança nos currículos do 1.º e do 2.º CEB em Portugal é consensual entre docentes e encarregados de educação, podendo vir a ter bastante impacto na educação e preparação dos jovens para um futuro mais ciberseguro. As escolas permitem uma educação mais focada, de forma igualitária e inclusiva para os jovens das mesmas faixas etárias. Isto vai também potenciar o interesse e conhecimento da sociedade portuguesa nesta área, promovendo assim a criação de uma comunidade especializada com competências de ciberprevenção e ciberdefesa.
-
1A opinião de 82% dos docentes e 90% dos encarregados de educação é que se deve incluir o ensino da cibersegurança nos currículos do 1.º e do 2.º CEB.
-
2Não existe uma abordagem sistematizada e regular sobre o tema da cibersegurança nas escolas públicas do ensino básico português.
-
3Os docentes (71%) e os encarregados de educação (81%) afirmam abordar conteúdos de cibersegurança com os seus alunos e educandos, respetivamente, isto quando apenas 38% dos docentes e 13% dos encarregados de educação indicam ter alguma formação nessa área.
-
4Apesar do phishing ser hoje um dos ciberataques mais frequentes, ambos docentes e encarregados de educação indicam que se deve apostar mais em formação sobre conteúdos relacionados com o ciberbullying (docentes: 71%; encarregados de educação: 81%) e riscos nas redes sociais (docentes: 71%; encarregados de educação: 81%).
-
5Quanto ao formato que deve ser utilizado para a formação em cibersegurança, os docentes preferem jogos online (50%) ou workshops (55%), enquanto os encarregados de educação elegem a exposição em sala de aula (70%) e também workshops (54%) como os tipos de formação preferidos.
-
6Para 98% dos docentes e 82% dos encarregados de educação, é importante que a população em geral tenha formação na área da cibersegurança e proteção de dados.


