Publicador de Conteúdo

Artigo

Ser (ou não ser) família de acolhimento em Portugal

Eunice Magalhães, Sofia Ferreira, Joana Baptista, Leonor d’Eça, Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), CIS-ISCTE; Patrício Costa, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade do Porto; Vânia S. Pinto, Rees Centre, Department of Education, University of Oxford & Leeds Trinity, Reino Unido; João Graça, University of Groningen, Groningen, Países Baixos;
Projeto selecionado no concurso Flash para apoiar projetos de investigação sobre infância e vulnerabilidade

Portugal é o país da União Europeia com a taxa mais baixa de crianças em acolhimento familiar (UNICEF, 2024). Face à necessidade de recrutar famílias de acolhimento, este estudo pretendeu identificar e caraterizar o perfil de adultos no contexto português que possam estar disponíveis para assumir esse papel.

Tendo em vista este objetivo, foi realizado um inquérito a uma amostra representativa da população portuguesa (em termos de idade, género e zona geográfica), constituída por 1082 adultos com 25 anos ou mais e que não eram família de acolhimento no momento da recolha de dados. Cerca de 23% das pessoas participantes revelaram um perfil de maior diligência para se tornar família de acolhimento (p. ex., maior conhecimento do acolhimento familiar, assim como mais abertura e intenção de ser família de acolhimento). Por sua vez, cerca de 39% revelaram alguma abertura para acolher (mas com menor diligência), enquanto as restantes mostraram níveis reduzidos de abertura e disponibilidade para desempenhar essa função.

O estudo identificou dois fatores que parecem especialmente importantes para mobilizar possíveis famílias de acolhimento: a) a confiança das pessoas participantes na sua capacidade de cuidar de uma criança, e b) o desejo de ajudar crianças em situação de vulnerabilidade.

Por fim, quando questionadas a indicar livremente o que poderia motivá-las a acolher, foram salientadas razões centradas nas crianças (p. ex., dar amor, proteção, ou segurança a uma criança em necessidade), a importância de dispor de recursos adequados para assumir esse papel, e abertura para ajudar em emergências humanitárias.
Pontos-chave
  • 1
       O estudo identificou três perfis de participantes com base na sua familiaridade, abertura e intenção de ser família de acolhimento: o das pessoas Diligentes (22,9%), o das pessoas Disponíveis (38,5%) e o das pessoas Relutantes (38,5%).
  • 2
       O perfil das pessoas Diligentes inclui indivíduos com maior contacto com o Sistema de Promoção e Proteção de Crianças e Jovens, maior bem-estar social (aceitação e integração social), maior confiança na sua capacidade para cuidar, e maior motivação pelo bem-estar das crianças.
  • 3
       O perfil das pessoas Disponíveis, comparativamente aos dois outros perfis, inclui mais indivíduos sem filhos, mais mulheres, e mais indivíduos com níveis elevados de comunicação na família.
  • 4
       O perfil das pessoas Relutantes compreende indivíduos com menor contacto com o Sistema de Promoção e Proteção de Crianças e Jovens e menor motivação focada nas crianças.
  • 5
       Aproximadamente metade das pessoas participantes tem um conhecimento limitado sobre o acolhimento familiar, enquanto cerca de um terço revela abertura para ser família de acolhimento.
  • 6
       As motivações centradas nas crianças são as mais reportadas pelas pessoas participantes para se tornarem família de acolhimento, sendo a falta de recursos (p. ex., psicológicos, financeiros) a barreira identificada com maior frequência.

Classificação

Etiquetas

Temáticas

Conteúdos relacionados

Artigo

Agregados familiares em transformação em Portugal e Espanha.

O estudo mostra como as famílias em Portugal e Espanha mudaram entre 1991 e 2022, revelando transformações sociais e económicas e tendências que ajudam a compreender como vivemos hoje e o que poderá mudar no futuro.

Relatório

O mercado de explicações na península ibérica

As famílias recorrem a aulas particulares para apoiar os filhos em desafios educacionais específicos. No entanto, será que estas práticas podem aumentar as desigualdades? Analisámos os dados numa perspetiva sociodemográfica em Portugal e Espanha.

Artigo

As prestações de apoio à infância como o melhor método para lutar contra a pobreza infantil

Em Espanha, apenas 3,3% do total das prestações sociais em 2016 foram destinados ao apoio à infância, em comparação com os 9% da média europeia. No entanto, este estudo mostra que esta é a via mais eficaz para erradicar a pobreza.

Também pode ser do seu interesse

Agregados familiares em transformação em Portugal e Espanha.

Artigo

Agregados familiares em transformação em Portugal e Espanha.


Inclusão Social

O estudo mostra como as famílias em Portugal e Espanha mudaram entre 1991 e 2022, revelando transformações sociais e económicas e tendências que ajudam a compreender como vivemos hoje e o que poderá mudar no futuro.

Implicações da percepção de desigualdades socioeconómicas no bem-estar das crianças e nas suas aspirações

Artigo

Implicações da percepção de desigualdades socioeconómicas no bem-estar das crianças e nas suas aspirações


Inclusão Social

Este estudo foi realizado com crianças e adolescentes em Portugal mostra que a discriminação socioeconómica, mesmo quando pouco visível, afeta o bem-estar e as aspirações académicas. Descubra as principais conclusões e como as escolas podem promover ambientes mais inclusivos e equitativos.

Práticas alimentares sustentáveis na era das alterações climáticas

Artigo

Práticas alimentares sustentáveis na era das alterações climáticas


Inclusão Social

Estudo realizado com mais de 3.000 portugueses analisa os fatores que influenciam a adoção de práticas alimentares sustentáveis. Descubra os fatores que podem ajudar a mudar os hábitos na era das alterações climáticas.