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Ser (ou não ser) família de acolhimento em Portugal
Tendo em vista este objetivo, foi realizado um inquérito a uma amostra representativa da população portuguesa (em termos de idade, género e zona geográfica), constituída por 1082 adultos com 25 anos ou mais e que não eram família de acolhimento no momento da recolha de dados. Cerca de 23% das pessoas participantes revelaram um perfil de maior diligência para se tornar família de acolhimento (p. ex., maior conhecimento do acolhimento familiar, assim como mais abertura e intenção de ser família de acolhimento). Por sua vez, cerca de 39% revelaram alguma abertura para acolher (mas com menor diligência), enquanto as restantes mostraram níveis reduzidos de abertura e disponibilidade para desempenhar essa função.
O estudo identificou dois fatores que parecem especialmente importantes para mobilizar possíveis famílias de acolhimento: a) a confiança das pessoas participantes na sua capacidade de cuidar de uma criança, e b) o desejo de ajudar crianças em situação de vulnerabilidade.
Por fim, quando questionadas a indicar livremente o que poderia motivá-las a acolher, foram salientadas razões centradas nas crianças (p. ex., dar amor, proteção, ou segurança a uma criança em necessidade), a importância de dispor de recursos adequados para assumir esse papel, e abertura para ajudar em emergências humanitárias.
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1O estudo identificou três perfis de participantes com base na sua familiaridade, abertura e intenção de ser família de acolhimento: o das pessoas Diligentes (22,9%), o das pessoas Disponíveis (38,5%) e o das pessoas Relutantes (38,5%).
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2O perfil das pessoas Diligentes inclui indivíduos com maior contacto com o Sistema de Promoção e Proteção de Crianças e Jovens, maior bem-estar social (aceitação e integração social), maior confiança na sua capacidade para cuidar, e maior motivação pelo bem-estar das crianças.
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3O perfil das pessoas Disponíveis, comparativamente aos dois outros perfis, inclui mais indivíduos sem filhos, mais mulheres, e mais indivíduos com níveis elevados de comunicação na família.
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4O perfil das pessoas Relutantes compreende indivíduos com menor contacto com o Sistema de Promoção e Proteção de Crianças e Jovens e menor motivação focada nas crianças.
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5Aproximadamente metade das pessoas participantes tem um conhecimento limitado sobre o acolhimento familiar, enquanto cerca de um terço revela abertura para ser família de acolhimento.
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6As motivações centradas nas crianças são as mais reportadas pelas pessoas participantes para se tornarem família de acolhimento, sendo a falta de recursos (p. ex., psicológicos, financeiros) a barreira identificada com maior frequência.


