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Práticas alimentares sustentáveis na era das alterações climáticas

Filipa Pimenta, Inês Queiroz-Garcia, William James Center for Research, ISPA – Instituto Universitário, Lisboa; Mafalda Leitão, Rui Miguel Costa, Health Sciences Faculty, Universidade Europeia, Lisboa; Research Center in Sports Sciences, Health Sciences, and Human Development, CIDESD, Portugal;
Projeto selecionado no concurso Flash para apoiar projetos de investigação sobre o impacto social das alterações climáticas

A mudança dos hábitos alimentares é crucial para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas; contudo, as iniciativas globais têm revelado um impacto limitado. A perceção do risco das alterações climáticas e a autoeficácia na adoção de hábitos sustentáveis constituem determinantes relevantes dos comportamentos ligados à sustentabilidade.

Neste estudo, no qual participaram 3.132 adultos portugueses, verificou-se que os indivíduos que tendem a apresentar mais comportamentos alimentares sustentáveis são aqueles com maior autoeficácia, normas descritivas mais fortes (perceção de que as pessoas que os rodeiam adotam uma alimentação sustentável) e normas prescritivas mais baixas (sensação de pressão social para adotar esse tipo de alimentação), valores biosféricos mais fortes, prática de exercício físico, maior atenção às necessidades nutricionais e maior acesso à informação fidedigna.

Por outro lado, os adultos com maior perceção do risco, menor autoeficácia, normas prescritivas mais baixas, valores egoístas mais fortes e maior tendência para deixar que as emoções influenciem os seus hábitos alimentares apresentam mais barreiras à adoção de uma alimentação sustentável.

Estes resultados sugerem que reforçar a perceção da capacidade pessoal para adotar práticas alimentares sustentáveis poderá constituir uma iniciativa nacional relevante. A influência social pode funcionar como um modelo positivo para a adoção de uma alimentação sustentável; no entanto, a pressão excessiva — externa ou autoimposta — poderá produzir o efeito contrário.
Pontos-chave
  • 1
       Os resultados sugerem que os portugueses adotam comportamentos alimentares sustentáveis de forma ocasional, mas percecionam mais vantagens do que desvantagens na sua adoção.
  • 2
       O sexo, o número de filhos, o nível de habilitações literárias, a prática de exercício físico e a realização das próprias compras influenciam tanto a adoção desses comportamentos como a perceção das respetivas vantagens e desvantagens.
  • 3
       Uma maior perceção do risco e da autoeficácia para a ação aumentam a tendência para a adoção de comportamentos alimentares sustentáveis e para a perceção das vantagens, embora nem sempre reduzam a perceção das desvantagens.
  • 4
       As normas descritivas e os valores biosféricos associam-se a uma maior adoção de comportamentos sustentáveis, enquanto as normas prescritivas e os valores egoístas influenciam a perceção das vantagens e desvantagens.
  • 5
       Quanto mais desenvolvidos estiverem determinados fatores de literacia alimentar – nomeadamente os domínios de aprendizagem, a literacia nutricional, o fator industrial e as políticas alimentares – maior é a tendência para a adoção de comportamentos sustentáveis e para a perceção das vantagens, embora se observe variação na perceção das desvantagens.

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