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Insegurança alimentar em Portugal: como o aumento dos custos da habitação está a pôr em risco as refeições das famílias

Vasco Ramos, Institute of Social Sciences, Universidade de Lisboa; Susana Brissos, ISEG Research, ISEG Lisbon School of Economics & Management, Universidade de Lisboa;
Projeto selecionado no concurso Social Research Call 2023

A insegurança alimentar tem vindo a aumentar em Portugal desde 2019, a par do custo da habitação e dos bens alimentares. Com base em dados representativos a nível nacional das Estatísticas da UE sobre o Rendimento e as Condições de Vida (EU SILC), relativos ao período de 2019 a 2023, este estudo analisa as tendências da insegurança alimentar e investiga o papel do regime de ocupação e da acessibilidade económica da habitação, fatores anteriormente não explorados no contexto português.
Pontos-chave
  • 1
       A insegurança alimentar aumentou de 13,8% para 16,3% entre 2019 e 2023, principalmente devido ao aumento da insegurança alimentar ligeira (de 10,0% para 12,3%), enquanto a insegurança alimentar grave se manteve abaixo de 1%.
  • 2
       As estratégias de adaptação antecipatória estão a tornar-se mais frequentes: uma proporção crescente de agregados familiares refere consumir apenas uma variedade limitada de alimentos, o que indica uma diminuição da qualidade da alimentação, antes de passarem fome.
  • 3
       O regime de ocupação da habitação constitui um forte preditor da insegurança alimentar. Cerca de um quarto (24,3%) dos agregados familiares que reside em habitação social experimenta insegurança alimentar moderada a grave, uma probabilidade quase três vezes superior à dos proprietários sem hipoteca.
  • 4
       A acessibilidade económica da habitação é importante para além do regime de ocupação. Os agregados familiares que consideram os custos da habitação um «encargo pesado» têm o dobro da probabilidade de se encontrarem em situação de insegurança alimentar, quer sejam arrendatários ou proprietários.
  • 5
       O risco está fortemente concentrado nos grupos vulneráveis. Um em cada oito agregados familiares no quintil de rendimento mais baixo enfrenta insegurança alimentar, em comparação com menos de 1 em cada 250 no quintil mais alto; as famílias monoparentais e os migrantes de países não pertencentes à UE enfrentam um risco particularmente elevado.

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