Portugal, Balanço Social 2021 - Um retrato do país e da pandemia

A pandemia e o mercado de trabalho: o que sabemos um ano depois

Bruno P. Carvalho, Universidade Carlos III de Madrid, Departamento de Economia, e ECARES (ULB)
Mariana Esteves, Nova School of Business and Economics
Susana Peralta, Nova School of Business and Economics
Relatório financiado pela Social Equity Initiative

“Portugal, Balanço Social” é um relatório anual que analisa a pobreza e exclusão social em Portugal. O relatório deste ano utiliza o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR), elaborado no início de 2020, ou seja, contém informações relativas aos rendimentos e condições de trabalho em 2019, antes da pandemia de covid-19, tendo sido complementado com dados provisórios da vaga de 2021 divulgados pelo INE. Inclui uma secção dedicada a crianças e adolescentes e outra a idosos, dois grupos que são especialmente vulneráveis à pobreza e exclusão social. Neste relatório também foram utilizadas várias fontes de dados para analisar o impacto da crise pandémica na saúde, educação e mercado de trabalho.
Pontos-chave
  • 1
       A taxa de pobreza após transferências sociais foi de 16,2% em 2019; dados provisórios do INE indicam que aumentou para 18,4% em 2020.
  • 2
       A taxa de privação material em 2020 foi de 13,5% (1,6 pontos percentuais mais baixa que em 2019).
  • 3
       Em 2019, o Norte do país tornou-se a região do continente com a maior taxa de risco de pobreza (18,1%) e a maior taxa de privação material (6,7%).
  • 4
       O encerramento de escolas levou a uma perda de competências em comparação com 2019 e 2018. Os resultados são mais severos entre os alunos de meios socioeconómicos mais desfavorecidos.
  • 5
       As mulheres com filhos trabalharam, em média, menos 1,2 horas por semana entre o primeiro trimestre de 2019 e o primeiro trimestre de 2021.

Depois de um relativo agravamento nos anos da crise das dívidas soberanas (2011 e 2014), a generalidade dos indicadores conheceu uma melhoria. Entretanto, em 2018, Portugal ainda estava acima da média da União Europeia (UE) no que diz respeito à taxa de risco de pobreza ou exclusão social, taxa de risco de pobreza e taxa de privação material. Só em 2019 Portugal teve um desempenho melhor que a média da UE para estes indicadores. É de salientar a taxa de risco de pobreza que, em 2019, ficou abaixo da média da UE em 0,9 pontos percentuais (16,2% vs. 17,1%). A indisponibilidade de dados não permite analisar se esta melhoria relativa se manteve em 2020, apesar do aumento da taxa de pobreza para 18,4%. Outro ingrediente da taxa de risco de pobreza ou exclusão social é a percentagem de agregados familiares com baixa intensidade de trabalho, que atingiu 5,2% em 2020, contra os 5,1% de 2019.

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