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A pandemia e o mercado de trabalho: o que sabemos um ano depois

Bruno P. Carvalho, Nova School of Business and Economics e ECARES (Université Libre de Bruxelles); Mariana Esteves, Nova School of Business and Economics; Susana Peralta, Nova School of Business and Economics;
Relatório financiado pela Social Equity Initiative

Após mais de um ano de pandemia, o emprego e o número de horas trabalhadas continuam abaixo dos níveis pré-pandemia. O salário médio aumentou, muito provavelmente devido à destruição de empregos precários e de baixa remuneração. As inscrições nos serviços públicos de emprego aumentaram, sobretudo na região do Algarve, caracterizada por uma grande atividade turística. Os trabalhadores com ensino inferior ao secundário perderam 126 mil contratos temporários e 120 mil contratos permanentes, no período compreendido entre os primeiros trimestres de 2019 e 2021. No mesmo período, a formalização de contratos temporários e permanentes aumentou para trabalhadores com ensino superior. A média de horas semanais trabalhadas diminuiu, principalmente para trabalhadores com salários baixos, jovens e famílias com crianças (especialmente famílias monoparentais). O presente estudo utiliza dados secundários do Inquérito às Forças de Trabalho, conduzido pelo INE, e dados de registos nos serviços públicos de emprego (Instituto do Emprego e Formação Profissional).
Pontos-chave
  • 1
       Entre o segundo trimestre de 2020 e o primeiro trimestre de 2021, o número médio de horas semanais trabalhadas diminuiu mais de 40 minutos para as famílias com salários mais baixos e aumentou quase 1 hora para as famílias com salários mais altos.
  • 2
       O número de pessoas na lista de candidatos a emprego aumentou 28% entre fevereiro e dezembro de 2020, principalmente pelo aumento de 30% nas inscrições de indivíduos com ensino secundário. Este aumento foi mais pronunciado (e persistente) na região do Algarve.
  • 3
       A transição do emprego para o desemprego ou inatividade aumentou entre 2019 e 2020. Entre os segundos trimestres de 2019 e 2020, foi pelo menos três vezes mais frequente do que entre 2018 e 2019.
  • 4
       O salário médio aumentou de 929 euros para 982 euros entre os primeiros trimestres de 2020 e 2021. No mesmo período, o número de contratos temporários diminuiu. Isto sugere que a destruição de emprego estava concentrada em empregos precários e com salários mais baixos.
  • 5
       No primeiro trimestre de 2021, mais de 30% dos trabalhadores com ensino superior trabalharam à distância, em comparação com 11% e 2% de trabalhadores com ensino secundário e básico ou menos, respetivamente.

Na sequência da crise causada pela pandemia de covid-19, vários estudos quantificaram os impactos desiguais da pandemia no mercado de trabalho, sobre os trabalhadores temporários em todo o mundo. O impacto da pandemia no mercado de trabalho em Portugal é altamente heterogéneo entre os grupos populacionais. As restrições de mobilidade induziram uma mudança para o teletrabalho, que só foi possível em certas ocupações. A prevalência do trabalho à distância é maior para os indivíduos com ensino superior. No primeiro trimestre de 2021, estes indivíduos tinham três vezes mais probabilidades de trabalhar à distância do que indivíduos com ensino secundário e 21 vezes mais probabilidades que aqueles com ensino básico.

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