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Pandemia de Covid-19 e educação em creche em Portugal: medidas de prevenção e controlo, práticas pedagógicas e bem-estar

Sara Barros Araújo, Sílvia Barros, Ana Silva, Centro de Investigação e Inovação em Educação, Instituto Politécnico do Porto; Rafaela Rosário, Escola Superior de Enfermagem, Universidade do Minho; Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem (UICISA: E), Escola Superior de Enfermagem de Coimbra;
Concurso para apoiar projetos de investigação sobre o impacto social da Covid-19 (LL20-3)

A presente investigação aborda a implementação de medidas de prevenção e controlo da Covid-19 (doravante designadas por “MPC”), práticas pedagógicas, bem-estar das crianças e dos/as profissionais, e literacia em saúde digital nos centros de educação e cuidados para crianças dos 0 aos 3 anos (creches) em Portugal. 853 educadores/as de infância de todos os distritos portugueses completaram um inquérito on-line durante os meses de janeiro e fevereiro de 2021. Os resultados sugerem que as MPC foram amplamente implementadas. Os/as educadores/as que relataram a implementação mais frequente das MPC foram mais propensos/as a afirmar terem reforçado as suas práticas pedagógicas e tenderam a relatar níveis mais elevados de bem-estar de crianças e adultos. Os/as educadores/as que afirmaram ter uma literacia em saúde digital adequada foram mais propensos/as a relatar uma implementação mais frequente das MPC.
Pontos-chave
  • 1
       As medidas de prevenção e controlo da Covid-19 foram amplamente implementadas em centros de educação e cuidados para crianças dos 0 aos 3 anos. A maior parte dos/as educadores/as de infância relatou que utilizavam sempre equipamento de proteção individual (96%), que as crianças que frequentavam as suas salas utilizavam brinquedos/materiais exclusivamente fornecidos pelos próprios centros (83%), e que o seu centro restringia o acesso dos pais (81%).
  • 2
       Os/as educadores/as de infância que relataram a implementação mais frequente das MPC foram mais propensos/as a afirmar que tinham reforçado as suas práticas pedagógicas no que se referia à interação adulto-criança, clima emocional e interação com as famílias, durante a pandemia.
  • 3
       Os/as educadores/as de infância relataram indicadores positivos de bem-estar das crianças nas suas salas. Os/as educadores/as que afirmaram ter reforçado as suas práticas pedagógicas (interação adulto-criança e clima emocional) tenderam a perceber níveis mais elevados de bem-estar das crianças. Contudo, 29% dos/as educadores/as consideraram que a pandemia poderá ter contribuído para uma diminuição do bem-estar das crianças na creche.
  • 4
       Os/as educadores/as que relataram a implementação de MPC com mais frequência foram mais propensos/as a afirmar níveis positivos de bem-estar subjetivo. Apesar disto, quase 14% dos/as educadores/as relataram um nível baixo de bem-estar.
  • 5
       Os/as educadores/as de infância com uma literacia em saúde digital adequada relataram implementar MPC com mais frequência.

A utilização de equipamento de proteção individual foi a medida de proteção e controlo mais reportada (96% dos/as educadores/as reportaram implementar “sempre” esta medida). Foram também relatadas como frequentemente implementadas outras MPC emitidas para aplicação nas creches pelo Ministério da Saúde, nomeadamente o distanciamento social, a desinfeção de superfícies e a ventilação. A redução do número de crianças por sala foi a MPC menos relatada (nunca implementada em 57% dos casos).

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