Artigo

Recursos humanos para investigação em Portugal e Espanha

Laura Cruz Castro e Luis Sanz Menéndez, Instituto de Políticas e Bens Públicos do CSIC, Madrid, Espanha; Tiago Santos Pereira, Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, Portugal; Cláudia Sarrico, Escola de Economia e Gestão (EEG) da Universidade do Minho e Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior, Portugal;

A investigação é essencial para o crescimento económico e o bem-estar. Não obstante, são menos os recursos para a I&D em Portugal e Espanha que na Europa dos Vinte e Sete (EU-27). Este artigo visa comparar o estado atual dos recursos humanos para a investigação em Portugal e Espanha. Desenvolvendo uma análise do emprego e das condições de trabalho dos investigadores em Ciência e Tecnologia, observam-se problemas de baixa empregabilidade no setor empresarial e de pouca atratividade das carreiras de investigação. O número de licenciados e doutorados revela um quadro mais otimista. No entanto, se os trabalhadores altamente qualificados não forem integrados no mercado de trabalho, a fuga de cérebros irá continuar em ambos os países.
Pontos-chave
  • 1
       Em 2019, a despesa em I&D (em percentagem do PIB) foi de 64% (Portugal) e 57% (Espanha) da média da EU-27.
  • 2
       Portugal tem mais investigadores por mil trabalhadores (9,6) do que a média da EU-27 (8,7), enquanto Espanha tem menos (6,3).
  • 3
       Desde 2008, a despesa em I&D de Portugal e Espanha em percentagem da despesa total em I&D da EU-27 diminuiu, e os níveis de despesa total em I&D (GERD) não voltaram aos níveis anteriores à crise.
  • 4
       Enquanto na EU-27, em média, 55% de todos os investigadores trabalham em empresas, em Portugal e Espanha apenas 38% trabalham neste setor.
  • 5
       Ambos os países experimentam um atraso estrutural no emprego em atividades intensivas em conhecimento (KIA), especialmente no domínio da indústria de alta tecnologia.
  • 6
       O Plano de Recuperação da UE é uma oportunidade para aumentar a procura de trabalhadores altamente qualificados em Portugal e Espanha. Se não for gerada esta procura, ambos os países acabarão por consolidar a sua posição de exportadores de talento.

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