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Efeitos da perceção de desigualdades socioeconómicas no bem-estar das crianças e nas suas aspirações 

Leonor Pereira da Costa, Ana Rita Farias, Universidade Lusófona, HEI-Lab: Digital Human-Environment Interaction Lab; Joana Cabral, Independent Researcher; Ricardo Borges Rodrigues, Iscte-Instituto Universitário de Lisboa, CIS; Sílvia Luís, Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa, Centro de Investigação em Ciência Psicológica; Vítor Hugo Silva, Universidade Lusófona, HEI-Lab: Digital Human-Environment Interaction Lab, e Iscte-Instituto Universitário de Lisboa, DINÂMIA’CET;
Projeto selecionado no concurso Flash para apoiar projetos de investigação sobre infância e vulnerabilidade

As crianças e adolescentes de famílias economicamente desfavorecidas enfrentam uma maior vulnerabilidade social e emocional. Comparações diárias entre pares acentuam as experiências de privação, discriminação e preconceito, com efeitos negativos na saúde mental, na autoestima e no desempenho académico.

O presente estudo, realizado com uma amostra representativa de 2.580 crianças e adolescentes residentes em Portugal, entre os 10 e os 15 anos, analisa como a perceção subjetiva do estatuto socioeconómico e da discriminação por razões socioeconómicas se relaciona com o seu bem-estar e as suas aspirações académicas e profissionais. O estudo também analisa as atitudes explícitas e implícitas face à pobreza, dado o seu impacto na inclusão social e na redução de preconceitos.

Os resultados revelam uma realidade diferenciada: embora a maioria dos participantes reporte pouca ou nenhuma discriminação por razões socioeconómicas, um em cada dez relata uma elevada prevalência de experiências discriminatórias. Uma elevada percentagem autoposiciona-se num nível socioeconómico intermédio, embora nas escolas públicas o nível autopercebido tenda a ser mais baixo. Os participantes que se autoposicionam num nível baixo e se sentem comparativamente privados relatam mais experiências de discriminação socioeconómica, sobretudo ligadas à linguagem (forma de falar) e à aparência (roupa e falta de artigos de moda). Estas experiências associam-se a um menor bem-estar e a expetativas face ao futuro mais negativas.

Para garantir oportunidades equitativas de bem-estar e sucesso para todas as crianças e adolescentes, sublinha-se a importância de práticas escolares inclusivas que envolvam toda a comunidade educativa.
Pontos-chave
  • 1
       Os alunos que reportam um estatuto socioeconómico mais baixo referem níveis mais elevados de discriminação, menor bem estar e aspirações mais modestas do que os colegas de estatuto intermédio ou elevado. A perceção de discriminação socioeconómica explica a relação entre o estatuto socioeconómico percebido, o bem-estar e as aspirações.
  • 2
       A maioria dos participantes relata baixos níveis de discriminação pessoal por razões socioeconómicas (46,5% não reportam nenhuma discriminação). No entanto, mais de 10% reportam níveis elevados de discriminação socioeconómica.
  • 3
       Em média, os alunos percebem-se com estatuto socioeconómico intermédio, sendo esta perceção mais elevada entre aqueles que frequentam escolas privadas. A perceção de privação relativa (sentimentos de desvantagem face aos colegas) é globalmente baixa e semelhante em todos os contextos escolares. Ainda assim, cerca de 10% dos alunos reportam níveis elevados de privação relativa.
  • 4
       Os estudantes relatam ter observado na escola discriminação por razões socioeconómicas, sendo esta perceção superior entre os alunos do 3.º ciclo e inferior entre os do 2.º ciclo.
  • 5
       As crianças e adolescentes que consideram ter um estatuto socioeconómico mais elevado tendem a expressar explicitamente atitudes mais positivas em relação às pessoas em situação de pobreza. No entanto, as suas atitudes implícitas negativas revelam que podem manter preconceitos encobertos.

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