Ensino e aprendizagem à distância em Portugal durante a pandemia de Covid-19: diferenças entre escolas públicas e escolas privadas

Diogo Conceição, Pedro Freitas, Gonçalo Lima, Luís Catela Nunes e Ana Balcão Reis, Nova School of Business and Economics, Universidade Nova de Lisboa
Concurso para apoiar projetos de investigação sobre o impacto social da covid-19 (LL20-3)

Em Portugal, a pandemia de Covid-19 levou ao encerramento temporário das escolas e a uma implementação generalizada do ensino à distância. O presente estudo utiliza dados recolhidos através de um inquérito feito a professores entre os meses de março de 2020 e janeiro de 2021, em três rondas de questionários. Mostra que a pandemia afetou de forma diferente escolas públicas e privadas e levou ao aumento das desigualdades na educação, dado que muitos alunos não tinham acesso a computador e à internet. A situação melhorou com o tempo, especialmente nas escolas privadas, onde os alunos são, na sua maioria, procedentes de famílias com rendimentos mais elevados. De forma geral, os professores foram capazes de diversificar os seus métodos de ensino e de avaliação. Contudo, os professores acreditavam que levaria bastante tempo para os alunos recuperarem as perdas de aprendizagem, sendo que os professores de escolas públicas eram os mais pessimistas. Quase metade dos professores de escolas públicas inquiridos acreditava que esta recuperação levaria dois períodos escolares ou mais, enquanto mais de um terço dos professores de escolas privadas fez esta mesma previsão. Estes dados foram recolhidos antes do segundo confinamento, iniciado em janeiro de 2021. As estimativas dos professores quanto ao tempo de recuperação provavelmente aumentaram desde então.
Pontos-chave
  • 1
       Durante o primeiro confinamento, os professores diversificaram as suas práticas de ensino e métodos de avaliação a distância, tanto nas escolas públicas como nas escolas privadas.
  • 2
       Nas escolas públicas, o ensino a distância por videoconferência aumentou de 22%, em março de 2020, para 89%, em maio de 2020. Nas escolas privadas, aumentou de 63%, em março, para 98%, durante este período.
  • 3
       Em março de 2020, no início do primeiro confinamento, a grande maioria dos professores de escolas públicas (78%) relataram que mais de 10% dos seus alunos não tinham acesso a computador e à internet. Apenas 39% dos professores de escolas privadas relataram este mesmo problema.
  • 4
       Muitos professores reportaram que os alunos iriam precisar de bastante tempo para compensar as perdas de aprendizagem devidas ao confinamento: 48% dos professores de escolas públicas previram ser necessários dois ou mais períodos escolares para compensar as referidas perdas, em contraste com 36% dos professores de escolas privadas.

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Diogo Conceição, Pedro Freitas, Gonçalo Lima, Luís Catela Nunes e Ana Balcão Reis , Nova School of Business and Economics, Universidade Nova de Lisboa

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