Artigo

Desigualdades na investigação sobre as desigualdades da Covid-19: quem tinha capacidade de resposta?

Joan Benach, Lucinda Cash-Gibson, Diego F. Rojas-Gualdrón, Álvaro Padilla-Pozo, Juan Fernández Gracia, Víctor M. Eguíluz, e o grupo COVID-SHINE
Projeto selecionado no Concurso de Investigação Social 2019 (LCF/PR/SR20/52550011)

A pandemia de Covid-19 testou as capacidades e a preparação dos países para responderem ativamente e para colaborarem face a uma ameaça global comum. No projeto em que este artigo se baseia, foram analisados os artigos científicos publicados entre janeiro de 2020 e abril de 2021 sobre as desigualdades associadas à Covid-19. O estudo foi realizado em termos de volume de produção, distribuição por grupo de rendimento e região do mundo do país, e colaborações entre países. Os resultados revelam que a investigação sobre as desigualdades da Covid-19 foi extremamente colaborativa; contudo, existe desigualdade nestas colaborações. Além disso, emergiram novas dinâmicas e parcerias, em comparação com o campo da investigação sobre as desigualdades globais no domínio da saúde (pré-Covid-19), o que merece uma investigação mais aprofundada.
Pontos-chave
  • 1
       Entre janeiro de 2020 e 23 de abril de 2021, foram publicados em todo o mundo 9 355 artigos científicos sobre as desigualdades associadas à Covid-19, e 140 países contribuíram para a publicação de pelo menos um artigo.
  • 2
       O recente campo de investigação das desigualdades da Covid-19 tem sido extremamente colaborativo, embora existam práticas de investigação desiguais nestas colaborações, entre países, entre grupos de rendimento e entre regiões mundiais.
  • 3
       Em termos de regiões mundiais, a América do Norte e a Europa e Ásia Central foram as que mais contribuíram para esta investigação. O Médio Oriente e a região do Norte de África são o terceiro maior produtor regional em matéria de investigação sobre as desigualdades da Covid-19, e aumentaram de forma significativa a respetiva produtividade científica, em comparação com o campo da investigação sobre as desigualdades globais no domínio da saúde (pré-Covid-19).
  • 4
       No âmbito deste campo de investigação, foram identificados três grupos principais de colaboração: um grupo que incluía países anglo-saxões, asiáticos e africanos, um segundo grupo que incluía sobretudo países europeus e o Chile, e um terceiro grupo constituído principalmente por quatro países latino-americanos: Colômbia, Brasil, México e Argentina.
  • 5
       Antes da pandemia, as provas demonstravam que existiam desigualdades na capacidade mundial de produção de investigação sobre desigualdades na saúde, o que provavelmente reduziu a capacidade e prontidão de resposta de muitos países à Covid-19.
  • 6
       Para garantir uma preparação proativa para futuras crises e estratégias eficazes para enfrentar as crescentes desigualdades na saúde, o investimento em capacidades relacionadas com a investigação tem de ser uma prioridade em todos os países.

Mapa do mundo que mostra os diversos graus de colaborações de diferentes países na investigação sobre as desigualdades da Covid-19. A cor de cada país reflete o número de artigos produzido em colaboração com outros países (aumentando de vermelho para azul).

A cor das ligações codifica o número de artigos em que os dois países ligados aparecem (aumentando de amarelo para vermelho, com a ligação verde que indica o grupo de investigação “com maior produtividade”). 

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Joan Benach, Lucinda Cash-Gibson, Diego F. Rojas-Gualdrón, Álvaro Padilla-Pozo, Juan Fernández Gracia, Víctor M. Eguíluz, e o grupo COVID-SHINE

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