Como é que as medidas de prevenção de covid-19 afetaram os profissionais das estruturas residenciais para pessoas idosas?

Um inquérito aos profissionais de saúde das ERPI

Catarina Santos-Marques, ciTechCare, Politécnico de Leiria
Catarina Mangas, CICS-NOVA.PLeiria – iACT, CI&DEI, ESECS, Politécnico de Leiria
Tânia Marques, CARME, ESTG, Politécnico de Leiria
Ana Paula Gil, CICS-NOVA, NOVA-FCSH
Nelson Campos Ramalho, BRU-ISCTE
Sónia Gonçalves Pereira, ciTechCare, Politécnico de Leiria
Concurso para apoiar projetos de investigação baseados em inquéritos sobre o impacto da Covid-19 (LL20-4)

O impacto da pandemia de covid-19 nas estruturas residenciais para pessoas idosas (ERPI) foi bastante investigado, mas pouco ou nada se sabe do impacto que terá causado nos seus profissionais. Para proteger a frágil população das ERPI, foram implementadas, apressadamente, medidas rigorosas de Prevenção e Controlo de Infeções (PCI). Entre março e maio de 2021 foi realizado um inquérito por questionário on-line a profissionais que trabalham nas ERPI, registadas na Segurança Social acerca do impacto desta súbita mudança nas suas vidas profissionais, mas também pessoais e familiares. Os resultados mostram que a formação foi um fator essencial para os ajudar a lidar com esta nova situação. Os auxiliares de ação direta foram os mais afetados nas suas condições de trabalho, mas experimentaram menos medo e menos emoções negativas do que outros profissionais que trabalham nas ERPI.
Pontos-chave
  • 1
       Entre março e maio de 2021 foi realizado um inquérito por questionário on-line a profissionais que trabalham nas ERPI, registadas na Segurança Social, a partir de uma amostra de 458 profissionais: 25 enfermeiros, 287 técnicos superiores, 67 gestores e 79 auxiliares de ação direta. Os inquiridos foram na sua maioria mulheres portuguesas, e a sua idade média 41 anos. Um terço relatou ter tido covid-19, e a maioria indicou terem sido infetados no trabalho.
  • 2
       Os inquiridos consideraram as medidas de Prevenção e Controlo de Infeções (PCI) de extrema importância para os ajudar a sentirem-se mais seguros e reduzir o risco de infeção. Apesar das dificuldades na sua aplicação, a maioria pretende continuar a aplicar estas medidas após a pandemia.
  • 3
       Os auxiliares de ação direta sentiram-se mais seguros e menos afetados por emoções negativas durante a pandemia do que os gestores e os técnicos superiores. Pelo facto de produzir maior sensação de segurança, a formação foi relatada como sendo até mais importante do que a efetiva aplicação das medidas de PCI.
  • 4
       Os inquiridos relataram que o distanciamento físico e a utilização de máscaras dificultaram muito a comunicação presencial, mas apenas 15% consideraram tal ter tido um efeito negativo na prestação de cuidados. Por sua vez, os gestores consideraram que a comunicação com pessoas fora da instituição foi de pior qualidade do que antes da pandemia.
  • 5
       As condições de trabalho pioraram sobretudo para os auxiliares de ação direta durante a pandemia, com um número substancialmente maior de horas de trabalho e turnos rotativos e consecutivos, assim como um descanso reduzido. Os técnicos superiores e os gestores foram menos afetados.
  • 6
       Os inquiridos relataram perturbações importantes nas suas vidas familiares (toma de refeições e permanência em quartos separados) e na vida social (evitar espaços públicos e interações, abandono de atividades de voluntariado) com uma diminuição geral da expressão física de afeto.

Classificação

Autor

Catarina Santos-Marques , ciTechCare, Politécnico de Leiria
Catarina Mangas , CICS-NOVA.PLeiria – iACT, CI&DEI, ESECS, Politécnico de Leiria
Tânia Marques , CARME, ESTG, Politécnico de Leiria
Ana Paula Gil , CICS-NOVA, NOVA-FCSH
Nelson Campos Ramalho , BRU-ISCTE
Sónia Gonçalves Pereira , ciTechCare, Politécnico de Leiria

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