Como é que as medidas de prevenção de covid-19 afetaram os profissionais das estruturas residenciais para pessoas idosas?

Um inquérito aos profissionais de saúde das ERPI

Catarina Santos-Marques, Catarina Mangas, Tânia Marques, Nelson Campos Ramalho, Ana Paula Gil, Sónia Gonçalves Pereira, Instituto Politécnico de Leiria
Concurso para apoiar projetos de investigação baseados em inquéritos sobre o impacto da Covid-19 (LL20-4)

O impacto da pandemia de covid-19 nas estruturas residenciais para pessoas idosas (ERPI) foi investigado, mas sabe-se menos acerca do seu impacto nos profissionais de saúde. Para proteger a frágil população das ERPI, foram implementadas, apressadamente, medidas rigorosas de Prevenção e Controlo de Infeções (PCI). Através de um inquérito on-line, estes profissionais foram questionados acerca do impacto desta súbita mudança quer nas suas vidas pessoais e familiares quer no desenvolvimento do trabalho. Os resultados mostram que a formação foi um fator essencial para os ajudar a lidar com esta nova situação. Os auxiliares de ação direta foram os mais afetados nas suas condições de trabalho, mas experimentaram menos medo e menos emoções negativas do que outros profissionais que trabalham nas ERPI.
Pontos-chave
  • 1
       O inquérito foi realizado a partir de uma amostra de 458 profissionais: 25 enfermeiros, 287 técnicos superiores, 67 gestores e 79 auxiliares de ação direta. Os inquiridos são na sua maioria mulheres portuguesas, e a sua idade média é de 41 anos. Um terço relatou ter tido covid-19, e a maioria destes indicou que tinham sido infetados no trabalho.
  • 2
       Os inquiridos consideraram as medidas de Prevenção e Controlo de Infeções (PCI) de extrema importância para os ajudar a sentir-se mais seguros e reduzir o seu risco de infeção. Apesar das dificuldades na sua aplicação, a maioria pretende continuar a aplicar estas medidas após a pandemia.
  • 3
       Os auxiliares de ação direta sentiram-se mais seguros e menos afetados por emoções negativas durante a pandemia do que os gestores e os técnicos superiores. Pelo facto de produzir sensação de segurança, a formação foi relatada como sendo mais importante do que a aplicação efetiva das medidas de PCI.
  • 4
       Os inquiridos relataram que o distanciamento físico e a utilização de máscaras dificultaram muito a comunicação presencial, mas apenas 15% consideraram tal ter tido um efeito negativo na prestação de cuidados. Por sua vez, os gestores consideraram que a comunicação com pessoas fora da instituição foi de pior qualidade do que antes da pandemia.
  • 5
       As condições de trabalho pioraram sobretudo para os auxiliares de ação direta durante a pandemia, com um número substancialmente maior de horas de trabalho e turnos rotativos e consecutivos, e um descanso reduzido. Os técnicos superiores e os gestores foram menos afetados.
  • 6
       Os inquiridos relataram perturbações importantes nas suas vidas familiares (refeições e quartos separados) e na vida social (necessidade de evitar espaços públicos e interações sociais e deixar de realizar atividades de voluntariado) com uma diminuição geral no contacto físico.

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Catarina Santos-Marques, Catarina Mangas, Tânia Marques, Nelson Campos Ramalho, Ana Paula Gil, Sónia Gonçalves Pereira , Instituto Politécnico de Leiria

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