A Saúde e o bem-estar dos portugueses: impactos da covid-19

Lara N. Ferreira, Universidade do Algarve, Research Centre for Tourism, Sustainability and Well-Being (CinTurs), Centre for Health Studies and Research of the University of Coimbra (CEISUC)/ Centre for Innovative Biomedicine and Biotechnology (CIBB)
Luís N. Pereira, Universidade do Algarve, Research Centre for Tourism, Sustainability and Well-Being (CinTurs), Centre for Health Studies and Research of the University of Coimbra (CEISUC)/ Centre for Innovative Biomedicine and Biotechnology (CIBB)
Pedro L. Ferreira, Universidade de Coimbra, Centre for Health Studies and Research of the University of Coimbra (CEISUC)/ Centre for Innovative Biomedicine and Biotechnology (CIBB)
Concurso para apoiar projetos de investigação baseados em inquéritos sobre o impacto da Covid-19 (LL20-4)

O presente estudo forneceu dados sobre o impacto da covid-19 na saúde e bem-estar dos portugueses, tendo os dados sido obtidos a partir de uma amostra aleatória de cidadãos portugueses (n=1.255). Os resultados revelam que os inquiridos relataram que a sua saúde estava pior do que antes da pandemia e que o seu acesso aos cuidados de saúde foi bastante afetado, tendo tido cirurgias ou consultas médicas canceladas ou adiadas. Os inquiridos mais idosos foram os mais afetados. Os inquiridos, na sua maioria, relataram sentir-se mais nervosos, ansiosos ou estar “no limite”, bem como mais tristes ou deprimidos. Também reportaram que as relações sociais e as atividades diárias foram severamente afetadas pela pandemia. Uma elevada percentagem de inquiridos em idade ativa declarou ter perdido os seus empregos ou ter tido de fechar permanentemente as suas empresas. Além disso, uma elevada percentagem relatou ter registado uma redução dos seus rendimentos. Os inquiridos estavam ligeiramente satisfeitos com a vida e reportaram um bem-estar moderado.
Pontos-chave
  • 1
       Um quarto dos inquiridos relatou ter “muito boa” saúde e quase metade relatou ter “boa” saúde. Uma parte significativa dos inquiridos afirmou que a sua saúde estava pior do que antes da pandemia.
  • 2
       O acesso aos cuidados de saúde diminuiu durante a pandemia: 4% dos inquiridos tiveram cirurgias adiadas ou canceladas devido à covid-19; mais de um quarto teve consultas médicas ou exames complementares de diagnóstico adiados ou cancelados. O número de adiamentos e cancelamentos foi maior entre os inquiridos mais idosos.
  • 3
       Metade dos inquiridos relatou sentir-se nervosa, ansiosa ou “no limite” e, para 85% destes inquiridos, estes sentimentos eram mais fortes do que antes da pandemia. Quase 45% dos inquiridos sentiram-se tristes ou deprimidos e, destes, 85% afirmaram terem tido estes sentimentos mais fortes do que antes da pandemia.
  • 4
       Os inquiridos relataram que as suas relações sociais foram gravemente afetadas: não se reuniram com mais de cinco pessoas de fora do seu agregado familiar e visitaram membros da família com menos frequência do que antes da pandemia. A maioria também foi às compras e saiu para dar um passeio com menos frequência do que antes da pandemia.
  • 5
       Os inquiridos consideraram que a sua situação económica se debilitou durante a pandemia. Mais de dois terços afirmaram ter tido uma redução salarial ou no volume de negócios devido à pandemia. O impacto na situação económica e no trabalho foi maior para as pessoas com idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos.
  • 6
       Os inquiridos estavam ligeiramente satisfeitos com a vida e relataram um bem-estar moderado.

Classificação

Autor

Lara N. Ferreira , Universidade do Algarve, Research Centre for Tourism, Sustainability and Well-Being (CinTurs), Centre for Health Studies and Research of the University of Coimbra (CEISUC)/ Centre for Innovative Biomedicine and Biotechnology (CIBB)
Luís N. Pereira , Universidade do Algarve, Research Centre for Tourism, Sustainability and Well-Being (CinTurs), Centre for Health Studies and Research of the University of Coimbra (CEISUC)/ Centre for Innovative Biomedicine and Biotechnology (CIBB)
Pedro L. Ferreira , Universidade de Coimbra, Centre for Health Studies and Research of the University of Coimbra (CEISUC)/ Centre for Innovative Biomedicine and Biotechnology (CIBB)

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